Padrões de beleza e a distorção da imagem corporal

Padrões de beleza e a distorção da imagem corporal

A nossa imagem corporal é composta da junção dos significados emocional e cognitivo que atribuímos ao próprio corpo. Uma imagem negativa diminui a autoestima e aumenta o risco de dificuldades nos relacionamentos sexuais. A aceitação do próprio corpo é associada a níveis maiores de confiança e assertividade na interação com o(a) parceiro(a).
No entanto, os meios de comunicação de massa impõem um ideal de beleza inatingível que provoca sentimentos de dismorfia corporal ou síndrome da distorção da imagem ou ainda o body shaming, uma expressão que, traduzida é definida como vergonha do próprio corpo.

Dismorfia ou body shaming
Pessoas que não se enquadram no modelo ideal de corpo ditado socialmente passam por situações discriminatórias e são zombadas por outras. A partir daí fazem consigo mesmas o body shaming, que é o ato de envergonhar-se do próprio corpo ou reprová-lo.

Já a dismorfia, que é uma distorção da imagem corporal, pode acontecer por causa da chacota de outras pessoas ou não. Dismorfia corporal (ou Síndrome da Distorção da Imagem) é um transtorno psicológico que faz com que o indivíduo se incomode profundamente com “defeitos imaginários” ou triviais de seu corpo.

Também conhecido como Transtorno Dismórfico Corporal (TDC) ou dismorfofobia, este distúrbio se caracteriza pela obsessão que determinada pessoa desenvolve por sua aparência, devido aos pensamentos delirantes de que existem diversos defeitos físicos em seu corpo.

Normalmente, o TDC se desenvolve durante a adolescência e, se não for tratado, pode se prolongar por toda a vida adulta. Aproximadamente 2,5% da população mundial sofre com diferentes níveis de dismorfia corporal.

Sintomas de dismorfia corporal
A dismorfia corporal afeta principalmente a autoestima do indivíduo, fazendo com que ele sofra consequências negativas ao tentar estabelecer relacionamentos sociais ou profissionais. De modo geral, as pessoas com dismorfia corporal apresentam alguns sintomas em comum, como a constante irritabilidade, dificuldade em se relacionar, timidez em excesso, tristeza, mau humor e insatisfação constantes.

Além disso, quem tem dismorfia corporal se sente constantemente insatisfeito e inseguro com a sua imagem. Uma pequena cicatriz no rosto é vista como uma “enorme fenda”, fazendo com que a pessoa procure alternativas mirabolantes para tentar solucionar seus “defeitos”. Ela pode se olhar no espelho e sempre achar que está obesa, mesmo estando extremamente abaixo do peso saudável, o que pode desencadear outros transtornos, como a bulimia e anorexia.

Entre os homens, a dismorfia corporal pode levar ao transtorno dismórfico muscular (vigorexia), fazendo com que passem horas nas academias em busca de músculos cada vez mais definidos.

O que fazer
Uma pessoa que sofre de distorção da imagem corporal deve se submeter a um diagnóstico interdisciplinar. Fazer uma avaliação médica e psicológica. A dismorfia corporal pode provocar depressão e pensamentos suicidas, por isso é muito importante identificar o transtorno antecipadamente e procurar tratamento adequado.

Neste tipo de distúrbio, o tratamento mais utilizado são as psicoterapias, que devem ser realizadas por um profissional qualificado. Em alguns casos, os pacientes também podem fazer uso de medicamentos antidepressivos e que ajudem a controlar os pensamentos obsessivos. Obviamente, as medicações só devem ser consumidas a partir da orientação e prescrição direta de um médico especialista no assunto.

O papel da sociedade na distorção da imagem corporal
Já temos internalizado um padrão de beleza que é bastante cultural, e tudo que foge a esse padrão pode nos parecer feio e inadequado. A sociedade caminha mais devagar para internalizar a diversidade, as minorias e também os valores internos, o que pertence à personalidade. Estamos numa época onde a crianças estão sendo educadas no “ter” e não no “ser”.

Com as redes sociais os julgamentos ao corpo alheio aumentaram. No mundo das celebridades, a tendência de falar mal do corpo dos outros surgiu há tempos. Através das redes sociais elas são julgadas por seus seguidores quando ganham peso ou são fotografadas em ângulos pouco favoráveis, ressaltando o que muita gente considera como “defeito”. Nestes momentos surgem os ataques verbais como “gorda”, “baleia”, “poço de celulite”, entre tantos outros comentários desrespeitosos.

No entanto, o fenômeno não atinge somente os famosos. É comum a família fazer severas críticas, tipo: “o seu rosto é lindo, mas você tem que perder peso” ou “enquanto você não emagrecer não vai arrumar namorado”, dentre outras.

A mulher ainda é refém dos padrões impostos pela sociedade. Principalmente em famílias mais conservadoras. Um grande exemplo nos dias de hoje são as meninas negras que decidiram quebrar a cultura do cabelo alisado como padrão para todas nós e decidiram usar mais cores, assumir seus cabelos e traços. Mas ainda sofrem por desejarem assumir suas características naturais.

Quando estão com sobrepeso, as mulheres podem sofrer ainda o body shaming por parte de seus amigos, nas redes sociais e na vida real. Elas geralmente são alvos de críticas, agressões e piadas, como se estivessem rompendo com as regras de beleza pré estabelecidas, que diz que ser magra e fit é o “correto”.

Uma das muitas consequências do body shaming é o desejo de querer mudar certas partes do corpo que desagradam e que deixa a pessoa insegura depois de ouvir as opiniões alheias.

É preciso empoderar verdadeiramente as mulheres, meninas, adolescentes e mães. Mostrar à sociedade que cada indivíduo tem sua característica e que não podemos ser todos iguais, que há diversidade no nosso país. E que isso, dentro de uma sociedade, é algo bom para o crescimento cultural e também para o treino de habilidades sociais. Aliás trabalhar e lidar com pessoas diferentes traz um crescimento psicológico enorme.

O corpo “perfeito”
Ter a meta de conseguir o corpo perfeito é uma utopia. Se nos fixarmos nesta expectativa irreal, o mais provável é que vivamos uma frustração constante e acabemos tendo sérios problemas emocionais.

Segundo o GENTA (Grupo Especializado em Nutrição e Transtornos Alimentares e Obesidade), 9 em cada 10 mulheres têm alguma insatisfação com a aparência e uma em cada 6, trocaria cinco anos de vida para atingir o peso ideal. No Brasil, o país que mais realiza cirurgias plásticas no mundo, 65% das universitárias gostaria de ser mais magras, sendo que 48% delas apresentam peso normal, mostrando que a maioria é insatisfeita e não aceita o próprio corpo e suas características físicas.

Corpo ideal x corpo real
As distorções da imagem corporal vem da ideia de ter um corpo ideal. No entanto, corpo ideal e corpo real são conceitos diferentes que definem as características da estrutura física do corpo humano.

A principal diferença entre um corpo ideal e um corpo real está precisamente nos fatores que os definem. O corpo ideal é considerado o “corpo perfeito”, ou seja, tido como o padrão estético idealizado pela sociedade dominante, que dita o que é bonito e feio, assim como o que está na moda, tanto para os homens como para as mulheres.

Já o corpo real, consiste no “corpo natural” das pessoas, ou seja, as diferentes estruturas físicas e estéticas que existem, abrangendo as particularidades e características naturais do corpo de acordo com o ambiente em que este está inserido.

Ao contrário do corpo ideal, que segue uma “receita”, que determina estereótipos físicos específicos, o corpo real não tem um padrão básico. Os corpos reais são caracterizados pelas particularidades inerentes de cada estrutura física, seja ela magra, alta, baixa, gorda, loira, morena e etc.

A aceitação corporal
A imagem corporal é como você vê o seu externo. Numa sociedade altamente consumista e imediatista como a nossa, as pessoas desejam ver o que é aceito socialmente, pela maioria ou pelo grupo ao qual deseja ou pertence. É mais fácil mensurar a autoestima pelo externo do que perceber e refletir o interno como parte da construção da boa autoestima.

Trabalhar a aceitação do corpo é uma busca psicológica da aceitação do eu, de quem você é, de suas origens, de pensar se é necessário mesmo tantas mudanças. É entender que cada um é cada um dentro de um mundo enorme. É saber que baixa autoestima e questionamentos acontecem. Mas é também perceber quando isso traz prejuízos no seu dia a dia e perdas em relacionamentos e atividades.

Se aceitarmos que todas as pessoas têm defeitos e virtudes – tanto físicas quanto psíquicas – conseguiremos ficar em paz com nós mesmos. A aceitação de qualquer condição física nos faz bem e, com isso, conseguimos oferecer uma boa – e real – versão de nós às pessoas que nos rodeiam. Uma pessoa certa e segura de si mesma enquanto ser humano, é menos vulnerável à críticas.

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Publicado em:
26 jun 2019

Categoria:

Bem Estar Casamento


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