Era digital: vício em pornografia e transtornos obsessivos podem estar relacionados

Era digital: vício em pornografia e transtornos obsessivos podem estar relacionados

Especialista explica o que é a comorbidade e como ela está relacionada ao vício em conteúdos eróticos.

Com o advento da internet, milhões de pessoas passaram a ter oportunidade de conectar e se relacionar através das redes com alguns desejos que antes poderiam ser reprimidos. Porém, com toda ânsia por liberar sentimentos considerados inadequados, diversos problemas e vícios surgiram. A ideia do anonimato e facilidade ao acesso de informações, transformou muitos atos em compulsão. Entre eles, o mais comum tornou-se o transtorno obsessivo-compulsivo relacionado à pornografia.

Dessa forma, houve o aumento também do que os especialistas chamam de comorbidade, transtorno em que há existência de duas ou mais doenças simultâneas na mesma pessoa. Quando o indivíduo desenvolve o vício em pornografia, por exemplo, está predisposto a tal situação. O transtorno do controle de impulsos que é uma patologia já classificada, associada à busca de vídeos pornográficos ou relações sexuais virtuais, gera uma dependência psicológica que prejudica severamente uma pessoa. Geralmente, se instala em homens, por ser eles os maiores consumidores da pornografia.

A pornografia é tudo aquilo que obtêm a exposição de órgãos genitais masculinos e/ou femininos em uma relação sexual, ou não, com o objetivo de excitar sexualmente quem consome o produto. É muito comum pessoas que desenvolvem o vício em pornografia começaram a ter também neuroses obsessivas compulsivas, mais conhecidas como TOC, cujo pensamento intrusivo tem relação com atos sexuais.

O que faz com que o problema se agrave é que, na maioria das vezes, a comorbidade tem como principal característica potencializar duas patologias mutuamente, ou seja, uma torna a outra mais grave e vice-versa. Além disso, a comorbidade pode dificultar o diagnóstico e influenciar o prognóstico. E, nesse caso, agrava muito e é sofrido para a pessoa portadora. O vício, que em si já é considerado uma espécie de transtorno mental, pode piorar quando o indivíduo já tem predisposição ao TOC ou algum outro tipo de transtorno. Quando não tratado adequadamente, o conjunto de sintomas pode levar a cometer algum crime ou ato ilícito.

O risco de uma traição fora do virtual

Geralmente o relacionamento com o parceiro, ou parceira, é prejudicado. Além de atrapalhar o desempenho sexual, o transtorno também pode levar à traição fora do mundo virtual. Por se tratar de uma doença relativamente “nova” é necessário ter atenção redobrada aos sinais. Falta de interesse em fazer o que era de costume no sentido pessoal, social e/ou acadêmico são alguns sintomas. Além disso, prestar atenção se o sexo virou motivo de angústia ao invés de prazer. A família pode perceber que a pessoa se tornou estranha. É importante motivar e ajudar na procura por uma intervenção profissional.

Na maioria dos casos, o tratamento é feito com uso de medicamentos antidepressivos e ansiolíticos, também usados para tratar pacientes com TOC. Por isso, procurar um bom profissional que tenha conhecimento em psicopatologia e saiba escutar com atenção todas as queixas do paciente também é importante, caso contrário, o tratamento não terá bons resultados.

A melhor forma de se manter longe do vício é evitar o uso excessivo das redes e não usá-las como meio de se estimular. Com a internet, a pessoa abre 15 vídeos de uma vez. Ela pode adiantar cenas, ver diferentes tipos de sexo. A quantidade de estímulos a que fica exposta em uma hora é muito maior do que a que um indivíduo teria ao longo da vida inteira.

Vício na infância                                             

Até mesmo crianças podem desenvolver vícios e transtornos relacionados à pornografia, já que o fácil acesso a tablets, smartphones e computadores pode ser o principal vilão. Nesse caso, os pais devem ficar atentos e evitarem o uso sem supervisão e por longos períodos de tempo. Os sintomas na infância ou adolescência são parecidos com os da fase adulta. O perfil geralmente se torna solitário. Afastar-se dos amigos, ter a necessidade de ficar sozinho no quarto por muito tempo, diminuição do rendimento escolar, são alguns dos principais sintomas.

A maneira mais eficaz de evitar tais problemas é observar atentamente as atividades relacionadas à internet. Deixar a criança ou adolescente muito tempo sozinho utilizando as redes pode ser prejudicial. Os pais podem monitorar os computadores que os filhos usam. Esse computador não deve acessar pornografia, deve ficar em local visível. O aparelho também pode ser compartilhado com mais pessoas da família.

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Publicado em:
13 set 2018


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