Cadê você, meu desejo?

Cadê você, meu desejo?

No contexto atual é verificada uma maior liberdade sexual feminina, as mulheres escolhem seus parceiros e os trocam com maior frequência. Apesar de tantas mudanças com o decorrer do tempo cerca de 48,5% das mulheres sofrem com algum problema com envolvimento e entrega sexual, sendo os problemas psicológicos a maior causa para essas disfunções.

A busca para uma boa performance e bom desempenho acaba deixando as mulheres ainda mais ansiosas. Muitas delas acham que não são capazes de oferecer uma transa fantástica e com esse medo acabam se desanimando e não tendo vontade ou desejo para ter uma relação por receio de não satisfazerem o parceiro. Sendo essa síndrome uma das causas para a anorgasmia (dificuldade para ter orgasmo ou falta dele).

Entretanto, ainda existem as imposições sexuais da sociedade. Ditaduras sexuais que acabam por fazer a mulher sofrer outras várias violências. A “ditadura do orgasmo” que antes era uma conquista, se tornou uma obsessão. Algo que deveria ser espontâneo se torna pressionado, o que não produz resultados positivos, visto que pode levar até casos graves de depressão. Embora tenha tantos afazeres e obrigações a mulher ainda tem o dever da sedução. Essa deve estar impecável, seduzindo e ainda produzir um clima favorável para a relação, há para a mulher uma pressão por ser boa na casa e na cama, papel até então considerado do homem.

Existe a crença de que os homens são mais propensos para o sexo e que possuem mais desejo. Porém, a mulher e o homem possuem diferenças somente em relação à libido espontânea e em problemas fisiológicos. Enquanto as mulheres tendem a perder por conta de relações estáveis, os homens mantêm aquela durante mais tempo. Entre as mulheres a libido espontânea que surge sem estímulo, é maior em três situações: início de relacionamento ou novo parceiro, reatamento após alguma briga e em determinados períodos do ciclo menstruação. Existem fatores de gênero que também influenciam, contudo as imposições culturais e sociais também são cruciais para a manifestação do desejo em ambos os gêneros.

Destarte, outra disfunção é a aversão sexual, mais conhecida como repulsa ao sexo. É um transtorno que faz com que a pessoa rejeite qualquer contato genital. A simples ideia do ato sexual cria um medo e ansiedade excessiva evitando contato e relações, fazendo a libido ser depositada em outras áreas, como a carreira, projetos de vida e etc. A aversão pode ser explicada, pela psicanálise, como o deslocamento de um medo, inconsciente e intenso, para objetos sociais ou externos. Mas, é importante lembrar que, não necessariamente o objeto fóbico fez parte do trauma que originou o medo inconsciente, pois, ele é nomeado aleatoriamente pelos mecanismos de defesa do ego. Ademais, a Repulsa ao Sexo pode se desenvolver, também, devido a um descompasso sexual do casal e/ou pela falta de desejo de um dos parceiros, que, por exemplo, passa a fazer sexo apenas para “bater ponto” ou para satisfazer o outro.

Ainda há as causas biológicas tais como: infecções vaginais, inflamação do colo do útero, diabetes, alterações da tireoide e deficiência hormonal e também o uso de medicamentos, como, anticoncepcionais, antidepressivos, antibióticos, anticonvulsivantes e anti-hipertensivos que também interferem no problema. 

Nas últimas décadas houve uma evolução muito grande da concepção do desejo feminino. Acreditava-se que ele funcionava como o ciclo de prazer, conceito que foi modificado pela medicina sexual. Antes, prevalecia a ideia de que esse sistema seguia a ordem linear: desejo, excitação, orgasmo e resolução. Atualmente, leva-se em conta um modelo circular, em que o desejo pode ser responsivo, ou seja, mesmo não existindo uma vontade inicial é possível provocá-lo. O desejo responsivo aplica-se bem às mulheres, que mesmo perdendo a libido espontânea são capazes de se excitarem se receberem estímulos sexuais adequados. Partindo de um estado de neutralidade, a mulher responde a esses estímulos e acaba despertando o desejo. Portanto o desejo não se perde efetivamente, está em um estado de inércia esperando ser movimentado. A mulher deve se sentir responsável pelo próprio desejo, assim procurando um profissional se detectado que a falta de desejo não tem causa orgânica, estabelece-se um programa psicoterapêutico individual e alguns casos também pode-se adotar a terapia de casal.

Assim como as demais dificuldades sexuais, o conflito pode ser trabalhado e compreendido por meio dos recursos da psicanálise, da neurociência e da terapia cognitiva comportamental, cujas técnicas geralmente são adotadas nos tratamentos de todas as fobias. Na dessensibilização, é verificado (por escala) o limite de ansiedade da pessoa e, em seguida, são apresentadas diversas situações, para que ela aprenda a lidar com as mesmas, até que o objetivo final seja alcançado. Em alguns casos, a terapia com o casal se torna necessária, para que sejam abordados temas como: a educação, os valores e a cultura de cada um. É importante informar que, em geral, esses tratamentos são eficazes e que têm resultados positivos.

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Publicado em:
20 jun 2018


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